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Posts Tagged ‘universo interno’


Estava surpreso ao ver a empolgação de meu jovem amigo, mas logo percebi que não era empolgação, mas tão somente mais uma faceta de sua ansiedade costumeira. Ele temia sermos descobertos, planejava cada visita entre os horários de nossa rígida rotina. Não podíamos ser descobertos, já havíamos sido repreendidos por muito menos, ele queria desistir, mas eu o dissuadi, interpretava os ensinamentos que recebíamos a minha própria maneira, havia coisas que eu questionava, como poderia ser a teoria tão distante da pratica?

Logo estávamos andando por uma trilha em meio a um bosque, tomávamos cuidado para não sermos vistos, e se nos vissem tínhamos já preparados alguns argumentos para explicar o que estaríamos fazendo por ali e o que eram os pacotes e sacos que levávamos.

Andamos algum tempo pela trilha, e depois entramos bosque a dentro, avistamos a pequena casa, batemos a porta e logo fomos atendidos e recebidos com um sorriso amigável. Aquela senhora bem lembrava as bruxas dos contos de fadas,  não pela idade mas pela aparência e maneira de ser. Ela tinha cheiro de ervas envelhecidas, cascas de árvores com limo, um cheiro agridoce de vinho quase avinagrado. Ela era um ser estranho e para mim, fascinante, como se naqueles momentos eu entrasse em contato com algum ser mágico da natureza. O nome que sempre me vem quando me lembro dela é Greta e assim a chamarei. O ambiente que para outros olhos pareceria tétrico e desleixado, para mim já havia sentido, lógico e mágico. A penumbra, as ramos de flores e ervas dependurados em todo o teto, os potes e vasilhas cheios de misturas nas estantes, as cascas e raízes espalhadas sobre a mesa, aqueles aromas.


Ela estava feliz em me ver e tratava-me com respeito e carinho, não ignorava meu amigo, mas a pouca atenção que dava a ele era recíproca, ele apenas queria sair dali o mais rápido possível, e eu poderia ficar ali horas pensando ter passado minutos. Como acontecia quando eu a encontrava na floresta e ela me ensinava sobre sua antiga medicina ou quando ficava por horas fazendo minhas anotações e desenhos das ervas depois dos encontros. Muitas vezes fora repreendido pelos meus atrasos e sumissos.

Como sempre ela já estava com tudo preparado, os frascos com remédios e unguentos todos minuciosamente limpos e lacrados contendo o que nós dois compartilhávamos como tesouros. Conversamos um pouco, não lembro exatamente o que, mas sinto que eram orientações sobre como utilizar o que havia preparado e gentilezas como de uma tia preocupada com o sobrinho, conversas de amigos… Sim eu a considerava uma amiga, mais que isto uma mestra, afinal ela se empenhava em me ensinar tanto quanto meu superior, o abade,  ambos me passavam conhecimentos preciosos. Minha consideração por ela,  não confidenciava ao meu amigo. Acima deles apenas o Mestre Francisco a quem seguia até Jesus e Deus, nos quais depositava toda minha fé e confiança de que estavam me guiando pelo caminho certo, mesmo indo contra a certas leis humanas socias e religiosas, sentia em meu coração estar em harmonia com a vontade de Deus.

Antes de sair, lhe entregamos os pacotes e sacos, vários alimentos, pão, queijo, frutas e um pouco de vinho, ela não o bebia, não todo ao menos, utilizava-o para fazer e conservar algumas tinturas.
Nos despedimos e saímos de lá por outra trilha. Meu amigo que chamarei… Miguel, vinha conversando temeroso, dizia que deveríamos relatar ao abade, o nosso superior, que fazíamos estas trocas e que usávamos aqueles remédios quando visitávamos os enfermos. Eu argumentava que estávamos fazendo um bem para a mulher levando-lhe aqueles alimentos e valorizando uma pessoa que tinha tantos conhecimentos a compartilhar e era menosprezada por todos. Eu estava aprendendo muito com ela, sobre as ervas, quando e como colher, como fazer os remédios e ainda fazíamos o bem para as pessoas que utilizavam os medicamentos. Quantas pessoas já haviam sido curadas? E se o abade nos proibisse de vê-la?  Ela era idosa, como iria sobreviver agora sem a nossa ajuda?

O pouco que eu sabia não poderia ser útil em doenças que ainda não havíamos tratado, eu ainda tinha muito a aprender com ela, ela precisava de nós e os enfermos de que nós continuássemos a ser intermediários, até que no momento certo pudéssemos reintegrá-la aquela comunidade que a havia banido, quando muitos fossem curados ou talvez a cura de algo muito grave… Deus nos mostraria o momento e o caminho certo. Não! Nada falaríamos, esperaríamos mais um pouco.

Ele ficou quieto, não indagou mais nada, mas seus olhos revelavam insegurança e dúvida, não quis continuar a discussão, eu estava irredutível, mesmo não concordando, Miguel parecia não ter mais argumentos, ou não queria expô-los diante de minha atitude. De repente  ouvimos uma voz chamando, olhamos para trás e aquela senhora vinha ao nosso encontro com algo nas mãos. Ao nos encontrar, um tanto ofegante, explicou que havia esquecido de nos entregar uma das encomendas, um remédio para dor de dente. Ao mesmo tempo vimos um vulto por detrás das árvores… Agradecemos e nos despedimos rapidamente retomando nosso caminho.


Certa ansiedade nos tomou, começamos a andar mais rápido preocupados que pudéssemos ter sido vistos, nada comentávamos, mas um sabia o que ia dentro do outro. Mais adiante a trilha se alargou e as árvores ficaram mais esparsas e reconhecemos o vulto como uma das aldeãs, uma senhora que, para nossa falta de sorte, provavelmente não compreenderia a cena que presenciou, pois tinha fama de maledicente. Ela estava a alguns metro e nos olhou temerosa, apertando o passo. Cientes da situação delicada em que nos encontrávamos, pensamos em tentar falar com ela, para saber de sua impressão e tentar reverter a situação. A chamamos mas ela nos ignorou e andou ainda mais depressa, apesar de sermos mais jovens, estávamos carregados de sacos cheios de pesados potes e garrafas e só conseguimos alcançá-la já na porta de sua casa, quando ela de repente se virou nos encarando de olhos arregalados e começou a esbravejar absurdos. ” Vocês estão possuídos por demônios! O que será de nós se mesmo os monges não estão salvos do mal?! Como poderei frequentar uma igreja que tem servidores do diabo? Levarei minha familia a orar na entrada do inferno?” Fechou a porta batendo com força, mas continuava a gritar e a clamar dentro de casa fazendo alarde. Resolvemos sair dali imediatamente antes que mais alguém aparecesse.
O medo começou a crescer em nós, o advento de um eclipse em minhas esperanças… O que faríamos agora?



Isabel Batista

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Deitei-me e fui relaxando, visualizei-me deitada em um lugar, estimulava minha mente com lembranças de sons e odores, sensações, abri os olhos, mas continuei deitada visualizando as cores e as nuances de luz, as formas. Quando tudo tomou mais clareza e nitidez , estava em meu ponto de partida, era um lugar ao qual visualizava como um meio de chegar às várias dimensões possíveis de tempo e espaço, um lugar em minha mente, no meu coração, em alguma dimensão de mim ou talvez só tenha encontrado o caminho para lá. Não o descreverei em todos os detalhes, mas poderei dar uma ideia, no entanto é ilustrativo pois cada um cria ou acessa o seu, um lugar que se sinta bem e seguro, que lhe traga paz. Pode-se imaginar que se está acompanhado de alguém, seu anjo da guarda, mentor, ou qualquer pessoa com quem sinta-se bem. É um Santuário interior.

Desta vez eu estava “sozinha”, não imaginei qualquer pessoa visível comigo, mesmo assim sentia a presença de conforto e segurança. Andei por entre as árvores, tudo estava iluminado como uma manhã de sol. Sentia a grama macia sob meus pés e o cheiro de terra e plantas verdes, sentia-me como em um útero. Então orei, pedi que fosse levada a uma experiencia ou lembrança que me trouxesse aprendizado para o momento atual.  (A oração e o pedido são a chave para que sejamos levados a experiencia necessária que nos auxiliará a evoluir.)
Continuei caminhando e uma névoa branca foi dominando o ambiente, calma e suave formando uma cortina alva a minha frente. Atravessei-a e caminhando fui percebendo que o ambiente mudara, ainda era uma floresta, mas muito mais antiga, em cada árvore que surgia havia um símbolo diferente, entalhado em seu tronco, toquei-os mas nada aconteceu, pensamentos vinham a minha mente como se alguém conversasse comigo e me explicasse os eventos que percebia, os quais eu indagava mentalmente; cada árvore era um portal para algum lugar ou tempo. Não fiquei sabendo se eram todos referentes a mim mesma ou era algum lugar com portas que qualquer um poderia abrir no momento certo.
Parecia que nenhum daqueles portais iria se abrir agora, eu não tinha acesso naquele momento, então continuei a caminhar até o que parecia o sopé de uma grande montanha, um paredão de rochas coberto de plantas, havia uma enorme fenda na rocha e em frente a ela um pequeno lago, pouco mais largo que um poço. A água era límpida mas o lago um tanto escuro, imaginei ser profundo. Segui o impulso de entrar na fenda, algo me dizia que podia ser ali o meu portal. Tentei mas não havia como se segurar na rocha ou pular para atravessar o lago, o local era muito úmido e escorregadio, tinha que entrar na água. (Não é fácil desvincular-se das crenças estabelecidas por toda a vida, como as leis da física as quais estamos expostos enquanto encarnados, é útil lembrar que estas leis não existem ou são diferentes na dimensão astral. Coisa de que não me lembrei…)
Fui entrando no lago, mas não consegui nadar, fui puxada pra baixo, submergi vagarosamente. Dentro do lago era claro, como não parecia ser de fora, fiquei ansiosa  temia afogar-me, mas sentia nitidamente aquela presença que me acompanhava e orientava, tive fé de que nada de mal poderia me acontecer, tudo dependia do controle mental e emocional.  Controlei-me, e logo percebi que respirava normalmente em baixo dágua, fiquei mais tranquila e comecei a emergir tão vagarosamente quanto afundei sem nem movimentar-me.  Dei impulso para chegar a fenda. Consegui! (Quando pedimos por uma experiencia, as vezes somos testados para averiguar se estamos em domínio do auto controle, equilibrados para viver ou reviver experiencias que podem mexer com nossos sentimentos. Dominar o medo é fundamental.)
A fenda era escura, mas a cada passo o caminho parecia mais claro, andei não mais que 2 metros e achei uma velha porta de madeira, então era ali o meu portal… Não sei onde me levaria, qual seria o aprendizado, o que experienciaria? Queria saber, por isto estava lá…
Abri e continuei por um corredor, parecia agora de pedras, como de uma construção antiga de castelo ou igreja. Havia outra porta a minha esquerda e entrei…
Observei o lugar, era dia, e alguma luminosidade entrava por janelas muito altas do chão, pareciam apenas a falta de uma pedra, um buraco. O lugar era mobiliado por poucos móveis simples e rústicos. Uma cama que parecia não ter colchão, ou era muito fino, um bidê ao lado da cama e uma mesa com o tampo inclinado, como uma mesa de desenho. Não havia ninguém no quarto, então fui entrando e fui até a mesa. Havia vários manuscritos, um tinteiro e uma pena, em um deles uma poesia inacabada que comecei a ler…

Não lembro das exatas palavras, falava algo sobre incompreensão e intolerância humana, quando li as últimas palavras escritas tomei naturalmente a pena e continuei a escrever, refletindo sobre o assunto. Então a porta se abriu e um monge franciscano entrou declarando: “Francisco! Francisco! Então você está ai!”
Eu já não lembrava ser outra pessoa senão aquele jovem monge chamado Francisco.


Continua… 

Isabel Batista

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Wings of a Dream – Charles Frizzel
Durante vários anos não tive mais nenhuma lembrança espontânea, também não tinha nenhuma obsessão por lembrar de algo, havia sim uma curiosidade e uma vontade de saber mais sobre o passado como conteúdo para auto conhecimento, mas não fiz qualquer esforço nesta busca, acreditava que quando fosse o momento aconteceria de novo.
Creio que torna-se mais fácil reconhecer padrões negativos de comportamento quando a “personagem” é outra, diferente da sua atual, em outro ambiente, cercada de outro cenário, outra personalidade. Comportamentos já conhecidos saltam aos olhos. A mesma maneira de reagir as situações, os mesmos pensamentos e conceitos,  os sentimentos mais reativos e que se tornam ou não em emoções expressas. Nossa personalidade muda conforme o ambiente, família, sociedade ou comunidade, época, cultura, é o filtro do que somos em essência, a maneira como aprendemos a nos expressar para o mundo.
Pensando nisto, ponderei que talvez lembrar de vidas passadas, fosse uma boa ferramenta na busca de auto conhecimento e evolução. Com a técnica certa, poderia levar a frente a idéia.
Foram várias as técnicas que utilizei, uma delas veio em um livro. A autora reikiana como eu, relata seus muitos anos de estudo em terapia de regressão. Não me perguntem o nome do livro, faz muito tempo que me emprestaram, utilizei-o e o devolvi, ainda uso a técnica. A pratica tem uma limitação, tem de ser iniciado em Reiki e ter certa sensibilidade de tato (esta não é tão difícil).
No entanto para os não iniciados em Reiki relatarei, em outras histórias, outras técnicas utilizadas com êxito que não há limitações, embora esta talvez possa ser tentada levando em consideração apenas o shiatsu, pode ser que dê algum resultado, só experimentando pra confirmar.
A técnica proposta pela autora é a seguinte, ela relata que nosso corpo traz em seu DNA a memória das vidas passadas, estas podem ser despertas aplicando Reiki nos pontos do shiatsu, estes pontos não são tão difíceis de encontrar, basta um pouco de sensibilidade, percebe-se um ponto de shiatsu ao apertar a pele, a pele afunda como se o dedo encaixasse, isto não acontece em toda extensão da pele, o que facilita localizar os pontos. Então basta localizar um ponto qualquer, por exemplo da mão, ela descreve um ponto na mão, exatamente entre o dedo polegar e o indicador, foi o que eu usei. Aplica-se a técnica Reiki no ponto de shiatsu e faz-se uma concentração, concentre-se em energizar o ponto e deixe que as imagens venham livres a sua mente.
Sacred Arrow – Charles Frizzell
A lembrança que tive foi um fragmento, um flash, não constitui exatamente uma história completa, mas mais uma cena que fez sentido para mim.

Após alguns momentos de concentração estava em um ambiente árido, típico de um ecossistema como do Texas ou do sertão brasileiro. O sol estava quente e alto, haviam outras pessoas e fazíamos uma algazarra. Eu era um jovem nativo americano, tinha os cabelos longos, a pele queimada do sol. Parecia que estávamos envolvidos em uma brincadeira, eu suava e estava agitado, sentia-me muito vivo, forte, corajoso, sentia-me superando meus limites. Os outros eram tão jovens quanto eu, todos meninos também, e gritavam incentivando o que eu estava fazendo, sacudiam os braços, pulavam levantando poeira entre os arbustos e pedras e riam. Um medo instintivo tentava me tomar, mas eu o superava movido pelo incentivo dos outros, não podia dar pra trás.
O foco era no chão, havia algo no chão que era a atenção de todos. Eu não conseguia ver bem o que era, e ouvia um estranho som, estava afoito, tinha de pegar algo, até que vi por um relance aquele vulto esguio levantando-se repentinamente entre a nuvem de poeira e enfiando suas presas em minha mão… Era uma cascavel! Tudo envolveu-se em poeira…

Não sei o que aconteceu depois, se morri ou não, não senti a  dor da picada, a cena finaliza-se neste momento quando surpreendido pelo ataque súbito da serpente dou um impulso instintivo com o corpo para trás e tudo desaparece. Continuei a me concentrar, mas foi inútil, acabara a experiência.

Thunder Dance – Charles Frizzell
Estava deitada, de luz apagada e assim peguei no sono, pois sempre faço estas experiências antes de dormir, quando o momento é mais silencioso e propício à concentração. No outro dia notei surpresa, um hematoma no exato ponto em que pressionara, embora depois da experiência não lembre quando deixei de pressioná-lo, simplesmente relaxei. Mas incrivelmente foi no exato ponto também em que a cascavel havia me picado.
Descartei a possibilidade de haver pressionado tanto aquela área a ponto de criar um hematoma, afinal teria sentido alguma dor. Acredito que realmente tenha acessado a memória daquele exato ponto do meu corpo, por um “acaso” eu realmente tinha uma memória relativa aquele ponto.
Acaso? Nada é por acaso!
Refleti sobre a experiência, fui muito mais longe no passado, mas mais uma vez eu tomara a decisão errada por impulso e movida pelo orgulho. Um padrão de comportamento auto destrutivo. Tive que reconhecer!
Há grande sabedoria nos povos indígenas,  creio que tenham aprendido muito com os próprios erros… E não é assim que aprendemos todos? Tomara, pois erros sempre haverão!
Depois disto entendi por que sempre torcia para os índios nos filmes de bang-bang ou porque esta maravilhosa cultura me é tão significativa.

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Eu tinha 16 anos e tive um sonho ou foi uma lembrança?…
De repente estava lá. Sentada sobre um caixote em frente a uma mesa rústica sorvendo uma sopa rala e quase insípida. Era um porão, eu acho, pois parecia um porão, velho, a luminosidade era fraca, as paredes escurecidas e gastas pelo tempo, sem nenhuma pintura, alguns móveis enjambrados, feitos de restos de caixas de madeira, ou elas mesmas como móveis, como o assento em que eu me encontrava. Era em um porto, eu sabia disto. Era dia ainda, mas um dia nublado e frio de inverno.
-Ao menos está quente! – pensava comigo mesma. Mas minha preocupação não era com a sopa, já estava acostumada àquela miséria, meu corpo franzino e magro delatava a situação, o que me preocupava é que havia uma tensão no ar… 

A minha esquerda um senhor de cabelos ralos quase todos embranquecidos e feições duras, era meu pai, à minha direita um jovem que não lembro das feições, mas eu o amava muito. Tínhamos sido criados juntos, éramos como irmãos, mas eu o amava como homem e ele a mim como mulher, embora sempre mantivéssemos a relação de forma fraterna.

Meu pai falava algo, me ative então ao que ele estava declarando.
-Quero que vocês se casem!- Ao ouvir isto me revoltei. Senti muita raiva, não pensei em aproveitar a oportunidade, não pensei em ser feliz ao lado do homem que amava, só pensava em como meu pai ousava decidir minha vida, escolher com quem deveria me casar. Eu já tinha 19 ou 20 anos, era uma mulher, poderia bem decidir o meu caminho, e com certeza não seria o que ele, meu pai, decidisse. Tinha uma revolta contra aquela pessoa que se apresentava como meu pai, uma revolta mais forte que o amor que sentia por aquele moço. E faria de tudo para afrontar a sua decisão, mesmo passando por cima de minha própria felicidade e da pessoa que eu amava.
Eu disse então, entre lábios apertados de raiva, mas passiva, um sonoro e decidido… Não!
Meu pai tentou argumentar, dizendo que faria gosto da união, pois conhecia melhor do que ninguém o homem que se casaria comigo, um moço trabalhador, honrado. O que eu poderia arranjar de melhor? Já estava mais que na hora de me casar e esta era a única opção. Mas eu tornei a dizer… -Não!
Eu pensei que ele fosse me compreender, o moço, pensei que ele fosse esperar, mas ele olhou-me chocado e muita mágoa expressou em seus olhos, eram profundos, doces e agora repletos de dúvidas e tristeza. Ele revoltou-se, ficou com raiva de mim, e não mencionou se queria ou não se casar, apenas que iria embora, que iria, dali por diante fazer seu próprio caminho. E ele foi!
Tudo escureceu… 

Eu andava pela rua em um dia frio e úmido, estava doente, tossia e sentia muito frio, e fome…
Havia se passado muito tempo, bem mais de dez anos, eu e meu pai ficamos sozinhos. Meu pai estava acamado, muito doente e eu também começava a adoecer, não podia mais trabalhar. Ia pela rua com um destino em mente, reencontrar aquele moço. Uma angustia me sufocava o peito, estava passando por cima do meu orgulho por recorrer a ele após tantos anos, ele seguira seu caminho e nunca tornou a olhar pra trás. Mas eu tentava afastar este pensamento, precisava de ajuda, e não havia mais ninguém a quem eu pudesse pedir. Não sei se a decisão foi minha, pois a situação era bastante dramática, ou de meu pai, mas lá estava eu indo procurá-lo, temerosa.
Após alguns anos, depois que ele foi embora, pude bem seguir sua trajetória e sabia onde encontrá-lo. Não sei se por comentários ou jornais, eu sabia. Ele havia conseguido um emprego em uma fábrica e em pouco tempo, foi subindo de cargo. Um dia conheceu a filha do dono da empresa, ela apaixonou-se por ele. Logo começou uma carreira que decolou, mostrou-se hábil nos negócios, até chegar a uma ótima posição na administração e casar-se com a herdeira. 

Algum tempo depois o dono da fábrica morreu e sua filha herdou as empresas e quem as administrava era ele, o moço que eu amava e havia rejeitado, que nunca mais vira desde aquele dia de sua partida. A história estava nítida em minha mente, não sei se toda, mas boa parte dela. Eu sabia que ele havia casado por interesse, que não a amava e o julgava mal por isto, mas não importava, eu também havia errado e isto tudo era menos importante que a vida de meu pai. Além do mais nunca havíamos lhe pedido nada, mesmo tendo sido por muito tempo a sua única família.

Eu soube, de alguma maneira, sobre uma comemoração aberta a imprensa e a sociedade, acho que em frente a uma das fábricas, onde ele estaria. E era pra lá que eu estava indo.

 

Ao chegar notei a multidão, jornalistas anotando palavras em seus caderninhos,  fotógrafos com aquelas câmeras fotográficas que o flash parecia uma lâmpada enorme e várias pessoas assistindo. As pessoas bem vestidas, ele estava maravilhoso em seu terno alinhado, de chapéu de abas curtas e um longo casaco de pele. Diferente de mim, o tempo lhe havia favorecido. Sorria eufórico e fazia poses abraçando e apertando a mão de um e outro. 

Observava a cena, meu coração batia descompassado, após tanto tempo, em outra realidade, eu ainda o amava tanto. Desconcertei-me com o fato, não esperava ainda ter estes sentimentos. Mas eles brotaram em mim como uma fonte luminosa e quente.

Olhei pra mim mesma, roupa surrada, mal trajada para todo aquele frio e muito menos para um evento.
E agora, o que deveria fazer? Como eu poderia aparecer naquele momento na vida do homem que tinha se magoado tanto comigo. Ele provavelmente me escorraçaria, me humilharia perante toda aquela gente se eu ousasse chegar perto. E eu não lhe tiraria toda a razão.
O frio gelava-me até os ossos, o que mais me protegia, tanto do frio quanto da iminente humilhação, caso ele me reconhecesse, era estar misturada a várias outras pessoas que também estavam ali presenciando o evento e as batidas frenéticas em meu peito que chegavam a me ruborizar. Meu estômago doía,  já não sabia mais se de fome ou nervosismo… O que faria agora? Era só o que passava em minha mente e me esforçava em decidir.
Fiquei algum tempo, observando-o, incrivelmente estava feliz por ele, ele era ambicioso e havia vencido, realizado seus sonhos, mas pra mim ainda parecia ser aquela pessoa maravilhosa com quem havia convivido tanto tempo, lembrei-me de ele ter compartilhado comigo muitos de seus sonhos, eram cheios de encanto, brilho e luxo, suas palavras me deixavam alegre e por momentos, aqueles sonhos de grandeza me faziam flutuar e distanciar-me da miséria e vida sacrificada que compartilhávamos. Mas eu só ouvia e vivenciava com ele por momentos, não sonhava com ele, não tinha as mesmas ambições, os sonhos dele me preenchiam e quando se foi,  levou-os consigo e eu fiquei em minha aridez, não me permitindo sonhar jamais, preferia enfrentar a realidade. Mas a realidade é mais dura pra quem é vazio dos próprios sonhos. Pois os sonhos nos movem.

 

Fiquei parada ali, meio zonza com todo aquele movimento, observando-o e lembrando, era como se mais uma vez compartilhasse dos seus sonhos, me sentia mais uma vez alegre e fora da dura realidade, por alguns momentos devaneei como se eu não existisse e ao mesmo tempo estivesse lá com ele, e estava de todo o meu coração.
Baixei meus olhos da cena como que para retornar a mim mesma, precisava, devia ir embora, devia voltar e cuidar de meu pai, não sabia como, mas o faria. Se ele me visse, talvez me humilhasse, talvez me ignorasse, ou talvez nem me reconhecesse, não importava, pensei… “Estes são seus sonhos realizados, não tenho direitos sobre eles, nem sobre você. “
Tornei a levantar os olhos pra me despedir, meu coração deu um pulo, ele estava olhando diretamente pra mim, entre todas aquelas pessoas ele me reconheceu, eu fiquei rígida, não sabia se fugia, se ficava parada, meu coração quase saia pela boca. Aqueles olhos doces pareciam comovidos e surpresos. Ele começou a andar em minha direção, eu fiquei parada, pensando que talvez não fosse comigo, talvez eu devesse sair correndo, talvez eu desmaie, talvez eu morra aqui e agora… 

Ele parou diante de mim abriu os braços, me acolheu entre eles e me deu o mais maravilhoso beijo de todas as minhas vidas. Lágrimas tão quentes brotavam de meus olhos, tão frios e secos a momentos atrás. Eu fui ao céu e voltei.
Enquanto isto as pessoas nos cercavam, perguntavam, quase gritavam e fotografavam. Dei-me por conta da situação, eu estava apavorada, chocada… O que estava acontecendo?

Tudo escureceu… 

Estava em uma banheira, em uma casa muito luxuosa, delicados enfeites e frascos brilhantes pareciam jóias, o ar úmido exalava aromas que eu nunca tinha sentido. Um tanto encolhida, eu abraçava minhas próprias pernas, totalmente constrangida, enquanto uma moça de uniforme de empregada andava de um lado para outro, colocando sais e óleos na banheira onde eu estava, com uma feição nada amigável, um olhar de desdém. Podia jurar que ouvia seus pensamentos como se fossem palavras duras verbalizadas diretamente a mim. Ou talvez o constrangimento, o medo, diante de toda aquela situação me fizessem imaginar o que ela estava pensando.
“Quem ela pensa ser? Uma vadia recolhida da sarjeta, agora aí banhando-se de perfumes e eu ainda tenho que servir a esta criatura. Tanto tempo tenho me dedicado a esta casa, a este homem, se eu soubesse que seria tão fácil seduzi-lo, teria feito eu mesma, me entregaria a ele e quem estaria nesta banheira agora seria eu…”
Tudo escureceu…

 

Estava sentada a uma mesa esplendorosa, o ambiente era de luxo e muita fartura. A luz dos candelabros acentuavam o brilho dourado dos enfeites, molduras, cortinas. O ambiente parecia mágico. Ao meu lado esquerdo estava ele e à mesa estavam mais pessoas elegantemente trajadas e penteadas. Acho que eram umas 7 pessoas ou mais além de mim e do moço. Elas comiam e conversavam baixinho, de vez em quando cochichavam discretamente, seus olhos se mantinham baixos e nunca me encaravam, me olhavam diretamente apenas com o canto dos olhos.

 

De repente o moço levantou-se e segurando uma taça, sorrindo alegremente anunciou… “Mandei preparar este jantar especial e queria todos aqui pois tenho algo muito importante a anunciar, eu vou me casar novamente.” Dizendo isto ele tomou a minha mão e me fez levantar. Eu não sei exatamente como eu me sentia, era confuso, entre temerosa e feliz, mas pude presenciar a reprovação de todos, o silêncio dominava o ambiente, estavam todos chocados, mas calados, como se não ousassem expressar qualquer opinião. Ele continuou: “Penso que deveriam ficar felizes por mim e nos felicitar”- Seu olhar agora de alegre passou a desafiador, manteve da alegria que parecia demonstrar antes, um sorriso sarcástico, como se estivesse provocando toda aquela gente – Continuou: “E aqueles que quiserem (não estiverem contentes) podem seguir o seu caminho (sustentar-se) daqui por diante.”
Aquelas palavras moveram-os de formas diferentes, alguns se levantaram prontamente e correram a nos felicitar, outro tomou alguns goles da taça a sua frente, parou por um momento como se decidisse o que fazer, mas logo levantou a taça fazendo um brinde aos noivos. Uma mulher saiu correndo da sala com a mão no rosto, outra ficou sentada, estática e de cabeça baixa, como se controlasse uma iminente fúria. Eu sorria um tanto sem graça agradecendo os cumprimentos, mas não me atrevia a falar qualquer coisa.
Surpreendeu-me o poder que aquele moço, que eu tinha conhecido na infância, de olhos tão doces e sonhos tão encantadores, tivesse tanto poder sobre aquelas pessoas e sobre toda a situação. Ele fazia o que bem entendesse e não se importava nada com o que pudessem falar ou fazer, parecia que nada poderia afetá-lo, havia uma certeza em sua postura e em sua voz que lhe davam um ar de onipotência.
Diante daquela situação comecei a pensar o que havia acontecido com ele, como se transformara tanto, ou… Talvez eu nunca o tenha conhecido verdadeiramente.
Tudo escureceu…

 

A impressão que tive é que havia se passado mais alguns anos, eu contava com a idade de 40, talvez um pouco mais. Algo estava errado, uma angustia tremenda apertava minha garganta e meu peito. Estava andando pela rua, havia saído de algum lugar, não sei bem se era um pequeno hospital, uma casa de caridade, um asilo ou orfanato, algo assim. Não sei se o que sentia estava relacionado ao lugar, só sei que a dor me consumia e tentava de todas as formas não chorar, estava revoltada e magoada com algo. Estava saindo da calçada e ia atravessar uma rua, havia certo tráfego, alguns carros estacionados. Mas eu estava tão absorta em minha dor que atravessei sem olhar… Subitamente fui puxada daquele corpo e fui parar não sei onde, a minha frente como um flash apresentou-se um jornal com uma manchete nitidamente escrita em outra língua, que não a portuguesa, mas não sei qual, mas a compreendia e dizia algo como : “Esposa de rico industriário morre em acidente de carro”. Falava em nomes e lugares, mas disto nada lembro.
Tudo escureceu… 

 

Sentia-me flutuando e em paz, flutuava em volta de uma grande construção, não via nem sentia meu corpo, na verdade o sentia como se sente um sussurro, quase imperceptível. Cheguei ao topo e lá na cobertura, do que parecia ser um pequeno castelo, estavam um senhor de cabelos muito brancos, um menino de mais ou menos 3 anos e uma menina de mais ou menos 8 anos. Reconheci o senhor, era meu pai. Uma tristeza profunda começou a me tomar. Meu pai olhava o mar com seu rosto sério, mas enternecido, o tempo havia suavizado sua, sempre tão dura, expressão facial. O menino segurava sua mão e olhava para o chão, distraído com algo. A menina voltada para o meu lado, olhava através de mim, estava com uma expressão muito triste. Meu coração encheu-se de amor por aquelas pequenas criaturas, eu as amava muito, mas não sabia nem quem eram. A menina começou a chorar, quietinha, via as lágrimas escorrerem por seu rostinho, senti que comecei a chorar também. De repente a menina olha diretamente pra mim e diz: – Mamãe!- Baixinho como um suspiro, e deixava as lágrimas correrem. Aquela palavra fazia um sentido que eu não conhecia na vida real e me desesperei a chorar, não queria partir, como poderia partir?…Eram meus filhos!
E tudo escureceu somente mais uma vez… 

Acordei com o rosto molhado e ainda chorando convulsivamente, chorei algum tempo deitada e uma saudade dolorida me tomava por completo. Naqueles primeiros momentos em que eu retornava daquela experiência, a emoção era vívida e latente e as duas diferentes realidades me davam uma sensação de confusão sobre quem eu realmente era e de como era minha vida. O que era real e o que era sonho?
Estava sozinha em casa e não havia quem me orientasse, a quem falar sobre tudo  o que me acontecera? Não houve quem pudesse me dar uma resposta por muito tempo.
Havia revivido flashs de uma vida inteira, os momentos mais marcantes, as situações mais dramáticas de felicidade e tristeza, decisões importantes que davam novo rumo àquela vida, por quê?
Há muitas questões que nunca se desvendaram para mim, lacunas que não revivi, talvez por que não sejam importantes, as lembranças se focaram na minha reação nas situações, nas decisões mais importantes, meus erros, meus dramas, o restante é palco e figurantes de uma vida que passou… 

O que mais me impressionou e emocionou nesta experiência foi ter a exata emoção de ter que partir deixando os filhos, o amor que senti foi verdadeiro, a dor da saudade foi verídica para o meu coração, e eu só fui ter uma filha 24 anos depois desta experiência, então pude confirmar o que é sentir amor materno. Ainda me emociono quando lembro  daquela despedida tão dolorida.

Eu já era bastante curiosa sobre os assuntos da espiritualidade, aquela experiência me instigou mais a buscar conhecimentos e respostas.
O tempo foi passando e eu aprendendo, mas a história é nítida em minha mente e tornou-se um de meus parâmetros de autoconhecimento. 

Muitos podem dizer que foi apenas um sonho, nosso cérebro é tão misterioso, e na verdade foi um sonho, um sonho bastante incomum, repleto de lembranças que acredito serem de uma vida passada.
Uma das coisas interessantes deste sonho, é o fato de que tudo parecia fazer sentido pra mim, eu era aquela pessoa, eu vivi aqueles dramas com ela, menos a dor do acidente e da morte, deste momento fui poupada. Outra coisa é que, em alguns momentos, parecia que eu podia ler o pensamento das pessoas, era como se elas estivessem me falando o que exatamente estavam pensando, isto me deixava confusa entre o que pensavam e falavam realmente. Claro que não acredito que pudesse fazer isto, ler pensamentos, era mais como uma impressão ou noção redobrada do que percebia das situações e a expressão das pessoas, a minha própria leitura das situações e pessoas de forma intensificada como se revisse um filme.

Uma das formas de tornar esta experiência mais útil é tentar não julgar as situações e pessoas, fugir da primeira impressão negativa de certas situações, assim tendo uma nova perspectiva. E se nos via-mos como vítimas e os outros como algozes, ou ao contrário, ao relembrar sem julgar podemos chegar mais perto da verdade, e não apenas nos basear em uma única impressão, um único fragmento, trazendo-nos maior compreensão da própria vida como um todo, da eternidade.

Bem, esta é minha primeira lembrança que compartilho aqui com todos. Mas tenho muito mais a compartilhar.

 

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Imagem: Retirada da internet, se alguém souber a autoria por favor me comunique.
Agora é o momento, embora eu não saiba bem porque, de compartilhar minhas próprias histórias. Há muito tempo venho pensando nisto e então, finalmente, decidi fazê-lo.
Muitas pessoas já o fizeram, li muitos livros sobre histórias assim. Imaginação ou realidade as histórias existem. Eu pessoalmente acredito que a maioria dos relatos sejam lembranças, outros relacionam tal evento com memórias ancestrais que carregamos em nosso código genético, outros ainda tem outras teorias mais complexas, a mais simples e natural pra mim é que são memórias de vidas passadas.
A ciência tenta explicar, algumas religiões tentam afirmar, quanto as minhas experiências eu acredito que sejam lembranças, mas não posso dizer que seja esta, uma verdade absoluta. Pode ser que algum canto de meu cérebro seja tão criativo que manifeste através destas histórias algum problema ou drama pessoal a ser resolvido… Sei lá!… Freud explica! Eu não estou aqui para explicar nada, apenas pra compartilhar estas minhas experiências. Eu decido o que é pra mim, quem ler, decide o que é pra si mesmo. Meu objetivo é compartilhar é abrir uma reflexão a respeito do assunto. Incluir entre os muitos relatos, também as minhas histórias. Talvez outras pessoas se manifestem e queiram também compartilhar suas histórias, ficarei feliz em postá-las aqui com as devidas referências.
A primeira experiência ocorreu-me espontaneamente em um sonho, as seguintes derivaram de praticas de concentração e visualização, todavia, apenas o primeiro momento é controlado, depois tudo segue-se de forma espontânea e totalmente fora do controle mental ou emocional.
Muitas vezes as praticas não davam seguimento a uma lembrança, mas tão somente para um relaxamento ou outras experiências situadas no tempo presente ou atemporais.
Mas, de que me serve lembrar o passado?
Muitas pessoas utilizam de regressão para resolver fobias e traumas e muitas querem fazer por curiosidade. A regressão comumente vai até a fase intrauterina da vida atual, mas se necessário uma pessoa pode ir mais longe no passado para resolver a causa de um determinado problema.
Há muitos relatos que realmente podem ser fantasiosos, é comum vermos declarações de pessoas que dizem ter sido Tutancamon, Sheakespeare ou Leonardo da Vinci, etc. Bem, a verdade é que somos melhores agora do que fomos no passado. Mais experientes, mais resolvidos, com menos problemas à superar do que tínhamos nas outras vidas. A regra é evoluir, as experiências da vida nos trazem isto, aprendemos à duras penas, pela dor, miséria, solidão. E posição social não tem muito a ver com isto, pois talvez eu necessite superar outras coisas, provar ser forte apesar das adversidades e podem acreditar, há adversidades na vida do mais rico e do mais pobre, do mais belo e do mais feio, do que tem um corpo perfeito ou está com alguma deficiência. Há adversidades na vida humana, pois estamos aqui justamente para superá-las e assim nos tornarmos seres melhores.
Uma pessoa se mostra evoluída quando apesar dos problemas mantém o equilíbrio, a alegria de viver, demonstra força e paz interior e quando se dá conta de que viver é servir com humildade, ter uma existência útil à vida como um todo, pois harmoniza-se com a sábia vontade divina. Temos a essência de Deus dentro de nós e evoluímos quando, cada vez mais, o manifestamos, pois é assim que Deus age, através da vida e das criaturas viventes neste plano e em outros.

Para mim teve significativa importância lembrar e perceber o quanto evoluí e principalmente o quanto ainda tenho que evoluir.

Compartilharei de algumas histórias que postarei seguindo este marcador…“Sonhos ou Lembranças?” Compartilharei também de algumas técnicas de regressão que adaptei com êxito.
“Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”
(William Sheakespeare em sua notável peça Hamlet)

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Há momentos em que nos aproximamos tanto dos amigos

que adentramos em seus portais mais escondidos…


Portais expressos,

Abertos…

Em suas palavras…

Em um olhar…


Por vezes descobrimos coisas

que nem eles acessam em si mesmos…

… Pedras preciosas

E algumas também ilusórias.


Talvez nossas pedras rolem pelos olhares e palavras

chegando ao outro e deixando fragmentos

que só a alma, com sua sensibilidade, sente.


Talvez estes fragmentos agora façam parte de nossa alma.

Isabel Batista

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Quando convivemos muito com os amigos aprendemos seus sinais, a expressão, a ladainha, o “jingle”. Aprendemos a reconhecer, não o pior e melhor, pois o ser humano sempre surpreende, mas o que há de bom e ruim. As mudanças, transformações e renovações, as derrotas e frustrações.
Não observo como julgadora, mas como aluna ávida em aprender sobre tudo, sobre as pessoas, o ser humano, e sobre mim mesma.
Uma das coisas que aprendi, é que na maioria das vezes reconhecemos nos outros, do ruim e de bom, o nosso próprio reflexo, reconhecemos o que já existe em nós, manifesto ou em semente.
Pensando por este ponto de vista, às vezes, é conflituoso, surpreendente e até doloroso aceitar. Não queremos enxergar em nós o mal, a podridão e o lixo que atribuímos aos outros. Para alguns é mais fácil, por consciência, humildade, ou até mesmo por baixa estima e auto piedade. Mas por outro lado vemos também virtudes e atitudes admiráveis que reconhecemos também da mesma forma, pelo reflexo, narcisismo, desejo profundo de ser melhor quando já nós é latente tal ou qual virtudes. À partir daí vem o que pode nos fazer melhor ou pior como seres humanos, o que fazemos com estas informações, o quanto de auto consciência ela pode nos proporcionar se formos bons observadores e atuarmos por parâmetros positivos sejam eles de origem moral, ética, filosófica ou espiritual.
Uma forma negativa é a inveja. Existe a “inveja saudável”, quando sentimos que queremos o mesmo que alguém tem, mas, sem desmerecer as pessoas que já tem o que queremos pra nós. E existe a inveja destrutiva, que atinge a nós mesmos e aos outros, a que nos faz julgar mais merecedores do que os outros das coisas que possuem e que queremos. É claro! Não falo apenas de coisas materiais, mas de tudo. Das coisas mais importantes como saúde, paz, amor, amizade, dons e talentos naturais. As pessoas invejosas ou que por algum motivo passam por este estado de espírito tão “infra”, são pessoas sofredoras que invertem o sentido das coisas, que acham que se os outros forem mais infelizes elas vão se sentir mais felizes, pois ninguém vai ser mais feliz que elas. Então uma série de defeitos humanos é desencadeado, a ira, a luxúria, a cobiça, o orgulho e até mesmo a gula e a preguiça. E cada um pode fazer seu próprio exame de consciência e observar de que forma seu próprio ego faz seu trajeto desencadeando estes defeitos humanos. Em cada ser há o carro mestre, o chefe que origina o desencadeamento.
Todos nós estamos aqui neste mundo para aprender a sermos melhores, o fato de estarmos aqui é que ainda não alcançamos isto, estamos no trajeto cada um em sua própria velocidade. A observação e auto-observação é um exercício que muito auxilia àqueles que querem quebrar a mecânica das coisas, que sabem que são falhos mas querem melhorar. É como dizem: “se quiseres derrotar o inimigo conhece-ô”, e os piores inimigos não estão fora de nós, assim como os melhores amigos também estão dentro.
Observando, aprendendo, não só reconhecendo os inimigos internos, mas também os amigos e aliados que nos ajudarão a sermos vitoriosos sobre nós mesmos, seremos com certeza a cada passo, melhores seres humanos.
Confesso aqui, que esta aprendizagem, a de observar e de auto me observar, fez-me reconhecer um dos meus piores defeitos, quando eu notei que, expressivamente quase batia no peito pra dizer… “ Sou uma pessoa humilde!”… Pois só enxergava tal defeito nas outros pessoas. Então um dia, observando-me, a frase se completou com o sentimento que a expressava… “Tenho ORGULHO de ser humilde!”
Agora tento aprender o que não sabia, o verdadeiro conceito da humildade. Falo em conceito, pois sinto que ainda esta consciência alcançou apenas o meu nível mental. Ainda há um longo trajeto até alcançar a minha verdadeira essência. É conflituoso e há muitas armadilhas, pois um de meus aliados na busca de ser uma pessoa melhor é o próprio orgulho.
Outra experiência foi quando me dei conta de minha própria vaidade, não me permitia cuidados de beleza, justificando que as pessoas do meu convívio deveriam gostar de mim como eu era, ou seja, uma desleixada. Eu mesma queria me achar bela e sensual mal vestida e descuidada, claro que não conseguia, e queria impor isto aos outros e ainda criticava quem era, ao meu ver, muito vaidoso(a). Coloca-se ai também bastante baixa-estima. Tive que começar a pensar em me valorizar mais, me amar, cuidar de mim, e não me achar a tal só por que era “natural”. Pura vaidade!
Em suma, agora eu reconheço a minha vaidade, mas cavalgo nela e não ela em mim, assim como o orgulho, e enquanto não posso me livrar deles e ser um ser humano realmente puro, vou reconhecendo, domando e atrelando como posso estes sentimentos. Com a consciência de que ou domino ou serei dominada e que este “domínio” por vezes é ilusório, mas é melhor tentar fazer algo a me justificar pela ignorância ou omissão e não ter a chance de me transformar em algo melhor.
Mas acredito que reconhecendo esta teia de padrões, fica cada vez mais fácil quebrá-la e um dia, talvez, daqui a algumas reencarnações, poder começar a instituir um verdadeiro ser muito melhor do que sou agora.
A verdade NÃO está lá fora, mas dentro de nós mesmos. O mundo é um espelho.

Isabel Batista 

 

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