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Posts Tagged ‘catarse’

Ira

Wrath - Marta Dahlig

Na rusga da dor intensa que invade o trôpego coração

Acelera desentupindo as artérias do medo

Torcendo as fibras cristalizadas

Desferindo contra o peito seu pulso violento

O germe acorda e evoca poder

Desabrocha suas rubras pétalas

Vocifera a desordem

Intoxica o invólucro da medula

A carne treme consternada

As garras gestam um desejo crescente

A saliva envenenada corrompe a palavra

As lágrimas ácidas rompem trincheiras amargas

O olhar explode em mil cores quentes e viscosas

Sentidos vermelhos e brilhantes de cólera…

Como o reflexo da adaga sob a sanguínea lua.

Nua, a alma aprisionada se angustia

Debate-se entre paredes do casulo da raiva

Verme faminto é a ira que anima o ego pútrido

É a imagem vislumbrada pelos olhos cristalinos da consciência

A faísca é um sinal!

A catarse o final!

Observo-me…

Ira2

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Ousastes sentir o que ainda te é proibido.

Ousastes desejar o que não mereces.

Vertestes de tua alma, em fonte, a sabedoria, mas confundistes a todos que de ti se aproximaram, misturando às águas fétidas e pútridas dos teus infernos.
Soubestes conquistar a quem contigo se iludiu, mas com o tempo demonstrou a verdade, não sabes conservar o que tem valor.
Ousastes expressar palavras de amor, quando este não é forte o suficiente nem por ti mesma.
Tens sido flagelo de corações abertos… Não sabes amar! Não és digna de tal!
Distribuiu dores adocicadas pelas tuas justificativas.
Não sabes doar, és limitada por quanto desconheces o que seja amor verdadeiro.
Teus conceitos absurdos, abmudos, abcegos, abstratos, absolutamente equivocados.
Com muito pouco te confundes. Necessitas de explicações amiúde.
Não te fazes misteriosa. Não proteges dos outros o teu mal, és livro aberto que oferece de tudo um pouco do que és, muito mais do pior, até a quem não merece.
Sim! O abandono é teu legado.
Teu único mérito é aprender mais e melhor a ficar só.
És criatura amorfa na escuridão.
Nada aprendestes que se possa por em prática, és vazia de sentido, repleta de teorias ambíguas.
Não há herói que te possa salvar de si mesma.
Não há esperanças de redenção no universo externo.
Adormeça! É hora de fechar os olhos para esse destino feliz que não te pertence.
Adormeça! Enquanto repousas talvez a maldição expire.
Adormeça para este mundo e trave sua batalha consigo mesma, até que mereças ser um dia, outra vez, mulher amada.
Adormeça este teu ego sórdido e desperte tua consciência para realidade.
Agora és criatura sem saber, se em involução ou evolução.
És ser iludido procurando felicidade fora de si e por isto és…

Amaldiçoada!

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O Varal

Não pude-lhe mostrar o amor…

Meu aroma, minha cor.

Protegeu-se e se esgueirou sob os muitos mantos de sentimentos presenteados.

Não pude-lhe mostrar toda verdade…

Ele preferiu deslumbrar-se com o encanto que causa aos olhos deslumbrados

Sempre pronto a sorrir e despertar algo, é sua necessidade.

Humana vaidade.

Em sua mente um varal repleto e enfeitado de afetos conquistados,

Debatem-se eles tentando tomar mais espaço,

Os adornos repelem-se vez ou outra, enciumados

E do coração sopra leve brisa agitando seus troféus,

Uma pulsação sem sentido, sem sentimentos, ao léu

Sem aspirar o perfume de suas fibras

Apenas admirando seus padrões inigualáveis

E ignorando-os vez ou outra para manter a rotina

Sentindo-se rei!

Já possui seu manto “irReal”.

Sou entre eles apenas mais um, algumas listas, petit pois, florzinhas ou trançados

Me pressupus especial!

Iludi-me, sinto-me desbotada e assim já sou para os teus olhos de caçador

Que já mira a próxima nuance de cor

Preferiria cair ao chão num dia de chuva e lágrimas, desintegrar

Somente a ti pertencer

Tornar-me parte de você

Mas preferes deixar-me ao relento de tua vida.

Mas um dia a ventania…

Talvez outrora me sintas o perfume, mesmo que já então, aquecendo outro coração

E refletir… Perdi do varal a minha cor favorita.

Mas nunca se entristecer, pois sempre há outras belas cores…

Mas nunca se descuidar, pois sempre há ventanias…

Mente quem tem certeza do tempo.

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Você já passou por momentos em que parece estar em uma montanha russa de emoções? Entre euforia e frustrações?
O que me vem a mente é… Por que? Por que o ser humano tem que ser assim tão frágil, cheio de medos e fantasias?

Na mente se vive uma vida paralela, uma vida que tem as emoções passadas por filtros malucos que criamos, ora coloridos e alegres, ora cinzentos e taciturnos. Filtros que podem ser ilusões ou medos.
Acho que a pior ilusão é aquela que nós mesmos forjamos, cair na própria armadilha, pois perdoar a si mesmo é mais complicado do que às outras pessoas e geralmente não nos parece necessário, é só deixar cair no esquecimento. (Mas antes do esquecimento aquele tapa estalado na testa simultaneamente com as palavras… “Idiota!”.) Aí é que está o problema, nada é realmente esquecido e se torna matéria prima para criar mais monstrinhos no nosso inconsciente, ou lanchinhos para engordá-los e logo, logo porão suas cabecinhas medonhas pra fora e se farão bem reais em nossos pensamentos, palavras e atitudes e nem sempre farão referência a sua origem… Bela confusão! É um ciclo vicioso e se faz necessário uma boa auto observação, para pegar o fio da meada… Sei lá! Já estou com a testa vermelha de estapeá-la. Talvez uns bons anos estudando psicologia? Coisa que eu não fiz, e por isto me vejo agora encurralada e cercada de monstrinhos feios e coloridos que me fazem ficar em sobressalto constantemente… E então não consigo ver a verdade de um olhar, com estas cabecinhas medonhas pulando em minha frente me fazendo pensar, sentir e até fazer coisas tolas que nunca havia pensado, me fazendo analisar (ainda tento isto) e chegar a lugar nenhum, talvez não haja uma verdade pra ser vista.
Tenho dois caminhos, ao meu ver (um “ver” assim, um tanto confuso no momento) , driblar este arco-íris tenebroso e confuso e tentar seguir até o “Mar” (em outro momento farei questão de falar sobre esta metáfora, talvez com outras tantas) ou dar as costas e por consequência também ao olhar… E mais uma vez vencida pelos atrozes medos, não chegar ao “Mar” e morrer na praia.
Talvez seja uma maneira muito esquisita de dizer que, acho, estou apaixonada. E é!
Estou em meio a resistência de novamente amar ou me iludindo com esta possibilidade. Estou somente me sentindo só ou achei alguém realmente especial, estou sendo cautelosa ou me sabotando… Sei lá! Se eu contar a história, ninguém acredita, de tão… Tão!… Nem eu me entendo… Mas mesmo assim… Ai! Ai!… Me faz suspirar.
Se será um dia, um suspiro de um amor satisfeito ou de saudade deste momento que pode ser uma ilusão ou de alívio por não ter caído em nenhuma armadilha…
Se é tudo muita imaginação ou intuição…
Se é uma pane hormonal ou um reencontro de almas…
Só o tempo dirá!
Freud explica!
Sócrates tem uma resposta imediata pra mim… “Só sei que nada sei”.
É só!.. Ai! Ai!

Isabel Batista

 

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Aos Pais

Gostaria de hoje homenagear os pais, aos pais que são realmente dignos de serem chamados assim com o melhor conceito que se pode dar.
Ao meu, agradeço por ter fornecido seu DNA para que eu existisse. Acho que tudo que um pai possa dar a um filho que enriqueça sua vida é importante. Então obrigada!
Aos pais que possam doar mais que seus cromossomos. Obrigada! Pois sua presença é tão significativa quanto sua ausência. E muitas vezes a ausência é muito mais benéfica que uma presença. Guardadas as proporções entre positivo e negativo da presença.
Às presenças positivas, com certeza, têm uma consequência abrangente de melhorar o mundo em que vivemos de tornar os filhos (seres humanos) mais felizes e completos.
Aos filhos que tem um pai presente e humano (com seus defeitos e qualidades), sintam-se privilegiados e tentem lembrar que ele deve sempre ser valorizado, não apenas neste dia comemorativo de sua imagem, mas em todos dias.
Hoje tento fazer uma homenagem, não só aqueles que além de doar o material genético são presentes, mas principalmente aqueles que mesmo não tendo um vínculo direto, sanguíneo, tiveram sua presença marcada em nossas vidas como um pai amigo. Pais adotivos, avôs, padastros, tios, irmão mais velhos, professores, amigos.
Não só aqueles que mantém presença constante, mas também para os que conseguem tornar o tempo gratificante por mais curto que seja.
Eu aqui neste momento tenho que lembrar do meu avô materno, ele foi minha imagem paterna e muito agradeço sua presença, apesar de breve, amiga e carinhosa em minha vida.
Era ele o meu herói que acendia as luzes e espantava os monstros escondidos no armário e em baixo da cama, que enfrentava até com certo desdém coisas que eram pra mim sinônimos de dragões. Que sofria calado enquanto eu fazia um lindo penteado, arranhando sua careca com o pente. Que sentava sob a árvore e me contava histórias interessantes de sua infância, contos de pescador que foi, histórias de fantasmas, contos de fadas. Ele trabalhava com a terra e nela achava muitas coisas interessantes que me trazia, eram minhas preciosidades, lembro-me de uma pequena boneca de louça que eu adorava. Ensinou-me muitas coisas sobre a natureza e aprendi com ele sobre algumas coisas da espiritualidade e a forma individual que cada um pode lidar com isto. Sua presença, sua imagem, foram fortes e estarão marcadas em mim por toda vida.
Lembro hoje também, que conheço muitos bons pais que dão sentido a existência deste dia comemorativo.
À eles também minha homenagem.
E não posso deixar de mencionar aquele que através de mim é homenageado pela minha filha Júlia, seu pai e meu grande amigo Celvio. Sou testemunha de que ele faz o melhor possível e é um Pai maravilhoso.
Acho que a maioria de nós, tem uma presença paterna que nos marcou de alguma forma, temos um pai a homenagear.
Então… Feliz Dia dos Pais!!! (Aos que são dignos de tal)

Isabel Batista

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Ousastes sentir o que ainda te é proibido.
Ousastes desejar o que não mereces.
Vertestes de tua alma, em fonte, a sabedoria, mas confundistes a todos que de ti se aproximaram, misturando às águas fétidas e pútridas dos teus infernos.
Soubestes conquistar a quem contigo se iludiu, mas com o tempo demonstrou a verdade, não sabes conservar o que tem valor.
Ousastes expressar palavras de amor, quando este não é forte o suficiente nem por ti mesma.
Tens sido flagelo de corações abertos… Não sabes amar! Não és digna de tal!
Distribuiu dores adocicadas pelas tuas justificativas.
Não sabes doar, és limitada por quanto desconheces o que seja amor verdadeiro.
Teus conceitos absurdos, abmudos, abcegos, abstratos, absolutamente equivocados.
Com muito pouco te confundes. Necessitas de explicações amiúde.
Não te fazes misteriosa. Não proteges dos outros o teu mal, és livro aberto que oferece de tudo um pouco do que és, muito mais do pior, até a quem não merece.
Sim! O abandono é teu legado.
Teu único mérito é aprender mais e melhor a ficar só.
És criatura amorfa na escuridão.
Nada aprendestes que se possa por em prática, és vazia de sentido, repleta de teorias ambíguas.
Não há herói que te possa salvar de si mesma.
Não há esperanças de redenção no universo externo.
Adormeça! É hora de fechar os olhos para esse destino feliz que não te pertence.
Adormeça! Enquanto repousas talvez a maldição expire.
Adormeça para este mundo e trave sua batalha consigo mesma, até que mereças ser um dia, outra vez, mulher amada.
Adormeça este teu ego sórdido e desperte tua consciência para realidade.
Agora és criatura sem saber, se em involução ou evolução.
És ser iludido procurando felicidade fora de si e por isto és… Amaldiçoada!

Isabel Batista

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Falando em momentos… Há épocas em nossas vidas que tudo acontece ao mesmo tempo, encontros, desencontros, finais, coisas pendentes à resolver, novos prazeres, velhas dores.
Durante toda vida este movimento vai fazendo com que, de evento em evento, ela ande, pause, continue. Mas o pior que nos pode acontecer é começar a pensar que somos culpados pelas coisas mal resolvidas, erros e omissões e não merecedores das boas possibilidades e acontecimentos.
Tentar enxergar a luz e saber que ela está em algum lugar, mas não a ver, não a alcançar. E não é a inexistência dela que aflige, por que acredito que sempre há uma luz, mas o fato de estarmos de olhos fechados para ela, por medos, por orgulhos, por auto piedades, por falta de auto estima… Não abrimos os olhos. Não descobrimos as verdades.
Queria gritar… Socorro! Mas me vem a mente e ao coração que talvez não haja como alguém me fazer enxergar. Não é responsabilidade de ninguém fazer isto, se não minha mesma. Todos tem suas vidas e seus próprios labirintos para percorrer. Me resta ser minha própria resposta, meu próprio auxílio.
Sei que em algum momento, e espero que não seja no derradeiro, vou encontrar a luz e talvez até mais que isto, pois depois de tanto tempo na cegueira da vida, talvez este despertar seja uma explosão de consciência… Que não tarde eu suplico as divindades!
Por agora estou estática sem saber se ando e pra que lado. Por agora tenho que me permitir parar pra poder pensar e não posso, quero me permitir me amar e ser amada mas não sei se mereço. Neste instante não sei o que sou ou quem sou. E se colocar aqui neste espaço , exatamente como me sinto não vou conseguir me perdoar, pois é um momento em que me sinto simplesmente só, realmente em má companhia comigo mesma, cheia de auto piedade, uma chorona patética.
Coisas boas estão acontecendo em minha vida e elas tem um valor inestimável, não só pelo que significam por si só, mas por que me fazem perceber que vida vale a pena. Mas ao mesmo tempo sofrimentos, feridas antigas e sempre reabertas, ao mesmo tempo a dor de ser quem sou e não conseguir ser melhor. Ao mesmo tempo a culpa de dar este tempo até pra escrever o que sinto e não estar fazendo o que deveria fazer. Ao mesmo tempo a culpa de que sei que estou frágil e não estou conseguindo cuidar de mim mesma e há outras pessoas que precisam do meu equilíbrio, uma em especial que precisa de minha atenção e carinho, que dei a vida e agora sou responsável por ela. Outras que fazem parte de minha vida e precisam de minha atenção, meu auxílio, da prova de minhas palavras e promessas, o que é muito justo. Não há amor sem atitudes.
Acho que em fim é isto que tenho a dizer a mim mesma… Atitude!… Só há amor com atitudes!
E prometo a mim mesma tentar… Não! Eu prometo a mim mesma conseguir.
Eu vou conseguir!
Sou o palco, o cenário, o elenco, os críticos, a plateia deste meu ser. Serei eu também a luz que vai iluminar e mostrar a arte e o movimento deste espetáculo
.
As máscaras caíram, mas o espetáculo não pode parar!

Isabel Batista

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